II Seminário Nacional do ANDES-SN debate organização sindical, financiamento e democracia interna

Publicado em 24 de Maio de 2026 às 11h06. Atualizado em 24 de Maio de 2026 às 19h59

Mais de 100 docentes de diferentes regiões do país participaram, entre os dias 22 e 24 de maio, em Campinas (SP), do II Seminário Nacional de Questões Organizativas, Administrativas, Financeiras e Políticas do ANDES-SN. O encontro se consolidou como um importante espaço de debate coletivo sobre os desafios organizativos, financeiros e democráticos do Sindicato Nacional e aprofundou discussões que irão subsidiar o Conad Extraordinário previsto para novembro, em Brasília (DF).

Realizado no Auditório Milton Santos, no Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a atividade tratou dos Textos de Resolução (TRs) do Tema IV que não foram apreciados no 44º Congresso do ANDES-SN.

Foto: Eline Luz/Imprensa ANDES-SN

Antes do início dos debates, na manhã de sexta-feira (22), ocorreu o lançamento oficial do Painel “Mais Verbas”, plataforma interativa do ANDES-SN voltada ao acompanhamento dos dados de financiamento das instituições públicas federais e estaduais de ensino superior no Brasil.

Durante a apresentação, Diego Marques, 2º tesoureiro e encarregado de Imprensa e Divulgação do ANDES-SN, destacou que o portal foi criado para ampliar o debate público e fortalecer a mobilização em defesa da educação superior pública. “O portal é bastante intuitivo e vai ajudar nossos colegas pesquisadores, ampliar o debate com a categoria e permitir que a sociedade brasileira conheça melhor a situação do financiamento das instituições públicas de ensino superior no país”, afirmou. Acesse aqui o painel aqui.

Fundo Único e rateio 
A primeira plenária discutiu o Fundo Único e o sistema de rateio dos eventos deliberativos da entidade. Entre as propostas apresentadas, o TR 80 sugere a suspensão temporária das contribuições ao Fundo Único quando as reservas financeiras do sindicato ultrapassarem determinado limite em relação à arrecadação anual. Já o TR 87 propõe utilizar parte do “superávit financeiro”, quando houver, para reduzir os custos de participação das seções sindicais em Congressos e Conads. O TR 88, por sua vez, defende que o caixa nacional assuma integralmente os custos dos eventos deliberativos, extinguindo o atual modelo de rateio.

Na abertura do debate, Sérgio Barroso, 1º tesoureiro do ANDES-SN, afirmou que a discussão envolve não apenas aspectos financeiros, mas também princípios históricos de solidariedade e autofinanciamento da entidade. Segundo ele, o atual sistema — com 80% da arrecadação destinada às seções sindicais e 20% ao caixa nacional — é fundamental para garantir a sustentação política e organizativa do sindicato. Para o tesoureiro, a criação de um teto ou o fim do Fundo Único comprometeria a capacidade de luta e resistência do sindicato diante dos ataques à educação pública.

Em contraponto, Michele Schultz, docente da Universidade de São Paulo (USP) e signatária do TR 80, argumentou que a proposta não busca extinguir o Fundo Único, mas revisar sua metodologia diante das dificuldades financeiras enfrentadas por diversas seções sindicais. De acordo com ela, o objetivo é estabelecer critérios proporcionais à arrecadação do sindicato, preservando o funcionamento das bases locais.

As intervenções evidenciaram posições distintas sobre o modelo de financiamento do Sindicato Nacional. Parte das falas defendeu a manutenção do Fundo Único e do rateio como expressão de uma concepção sindical baseada na solidariedade e no fortalecimento coletivo das bases. Outras intervenções cobraram maior flexibilização das contribuições, transparência nos gastos e revisão das metodologias de arrecadação e distribuição dos recursos.

De acordo com Virgínia Assunção, 2ª vice-presidenta da Regional Nordeste 1 do ANDES-SN, o debate foi marcado por ampla participação da categoria e ajudou a aprofundar a reflexão sobre a organização financeira da entidade. “A plenária foi muito participativa e evidenciou o papel do Conad como espaço de fiscalização e transparência do Sindicato Nacional. Todas as prestações de contas e investimentos da direção nacional são públicas e debatidos coletivamente”, afirmou.

Fundo eleitoral e custeio
A segunda plenária abordou o financiamento das eleições do ANDES-SN, o custeio dos processos eleitorais nas seções sindicais e o uso da virtualidade nas eleições.

O TR 79, apresentado pela diretoria, propõe a elaboração de estudos e debates sobre o financiamento das chapas nas eleições nacionais e sobre formas de reduzir o impacto do rateio dos eventos para as seções sindicais.

Maria do Céu, 3ª tesoureira do Sindicato Nacional, destacou que o debate envolve não apenas os custos das eleições, mas também os desafios da multicampia e da autonomia das seções sindicais. Para a diretora, diferentes realidades convivem no sindicato, com bases que realizam eleições simultâneas às da diretoria nacional e outras que adotam calendários próprios.

Já o TR 86 propõe que os custos das eleições da diretoria nacional sejam financiados pelo caixa nacional, além da criação de um modelo de financiamento público e igualitário para as campanhas das chapas.

Na defesa da proposta, Fran Rebellato, diretora da Seção Sindical dos Docentes da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Sesunila SSind.), argumentou que as questões organizativas e financeiras estão diretamente ligadas à política sindical e apontou a existência de um “déficit de democracia interna” no Sindicato Nacional. Ela defendeu um percentual da arrecadação anual do ANDES-SN para o financiamento igualitário das chapas eleitorais, sob coordenação da comissão eleitoral. No entanto, ressaltou que os percentuais e formatos ainda devem ser construídos coletivamente nos espaços deliberativos do sindicato.

Parte das intervenções manifestou preocupação com o uso de recursos do caixa nacional para financiar campanhas eleitorais, argumentando que isso poderia estimular a fragmentação política e ampliar disputas burocráticas internas. Também houve críticas ao uso da virtualidade nas eleições, considerada por algumas intervenções um fator de enfraquecimento da participação sindical presencial.

“Foram relatadas as dificuldades financeiras das seções sindicais e a possibilidade de ampliar a democracia do sindicato com o financiamento pelo caixa nacional. Por outro lado, foram expostas dúvidas de que o caixa nacional tenha condições de arcar com todos esses custos e de que essa política esteja de acordo com algumas questões, que são muito caras para nós, como a concepção de Sindicato Nacional, em que as seções sindicais compartilham essa responsabilidade com a diretoria nacional, assim como o fazem no processo de elaboração e implementação da política do Sindicato Nacional”, avaliou Daniele Cunha, 1ª vice-presidenta da Regional Rio Grande do Sul do ANDES-SN.

Democracia e proporcionalidade
Os debates continuaram na manhã de sábado (23) com a plenária sobre composição da diretoria nacional e das secretarias regionais.

O TR 83 defende o aperfeiçoamento da democracia interna ao propor que a constituição da Diretoria Nacional do ANDES-SN passe a adotar o critério da proporcionalidade qualificada. Com isso, a composição da diretoria passaria a refletir os votos obtidos por cada chapa nos processos eleitorais, remetendo ao 69º Conad a tarefa de construir as mudanças estatutárias necessárias para serem objeto de deliberação no 45º Congresso do ANDES-SN.

Welbson Madeira, docente da Universidade Federal do Maranhão (Ufma) um dos signatários da proposta, afirmou que o modelo atual, baseado em chapas majoritárias, já não responde à diversidade política existente na categoria e defendeu a adoção da proporcionalidade na composição da diretoria e das secretarias regionais, para ampliar a democracia interna e garantir maior representação das diferentes correntes políticas na direção do ANDES-SN.

Ele argumentou que o sindicato deve funcionar como uma “frente única”, assegurando espaço para que todas as forças políticas possam expressar suas posições nas instâncias e diretorias. O docente questionou a estrutura atual da direção nacional e das secretarias regionais, defendendo que o modelo foi concebido em outro contexto histórico e precisa ser atualizado diante da fragmentação política existente hoje no movimento docente.

Já o TR 85, que propõe que as secretarias regionais sejam eleitas em chapas separadas da direção nacional dentro do mesmo processo eleitoral, foi defendido pela docente Soraya de Carvalho, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Segundo ela, há uma “crise organizativa” no ANDES-SN com o excesso de centralização e dificuldades para a expressão de posições minoritárias nos espaços deliberativos. A docente também defendeu o fortalecimento político das secretarias regionais, com maior protagonismo na articulação das lutas locais e nacionais, e afirmou que mudanças organizativas podem contribuir para “oxigenar” a direção do sindicato e ampliar a participação democrática da base.

Márcio Ribeiro, presidente da Adusp SSind., defendeu o TR 93, que abre a possibilidade para o voto não presencial exclusivamente para eleições de diretorias e conselhos de representantes, desde que aprovada em assembleia local e respeitados os princípios de sigilo e transparência.

Para Ribeiro, a proposta trata exclusivamente da autonomia das seções sindicais para definir a forma de realização de suas eleições internas, sem alterar o caráter presencial das instâncias deliberativas do sindicato. O docente destacou que o texto diferencia os momentos de debate político e formulação coletiva — que, segundo ele, devem permanecer presenciais — do momento específico da votação eleitoral, que poderia ocorrer de forma eletrônica. Conforme ele, as eleições presenciais têm se tornado cada vez mais complexas e custosas, especialmente em seções multicampi, como a Adusp SSind., diante das dificuldades para garantir voluntários, urnas e logística em unidades espalhadas geograficamente.

Já o TR 89 propõe eleições mais inclusivas ao exigir que o regulamento eleitoral seja aprovado em Congresso e que a Comissão Eleitoral tenha constituição proporcional às forças presentes. Sugere ainda a implementação de votação secreta e individual por ferramentas digitais acessíveis, visando garantir a participação de docentes aposentados, pessoas com deficiência e aqueles com mobilidade reduzida.

Marcos Soares, 1º vice-presidente da Regional São Paulo do ANDES-SN, defendeu que o debate sobre proporcionalidade ou majoritariedade deve partir do princípio da democracia sindical, mas considerar também a “materialidade” da organização do sindicato. Segundo ele, mecanismos como o rateio solidário, os comandos nacionais de greve e as assembleias de base já expressam uma concepção democrática construída historicamente no ANDES-SN.

O diretor argumentou ainda que as chapas representam programas políticos distintos e avaliou que uma direção proporcional poderia gerar dificuldades de implementação política diante da existência de diferentes programas na mesma gestão. Soares também se posicionou contra a proposta de eleições separadas para diretorias regionais e nacional, afirmando que isso fragmentaria a concepção de Sindicato Nacional e criaria uma cisão entre as estruturas regionais e a direção nacional.

Já Diego Marques, 2º tesoureiro do Sindicato Nacional, destacou que o ANDES-SN surgiu em um contexto de forte unidade de ação da classe trabalhadora durante a redemocratização e a resistência ao neoliberalismo, mas avaliou que o cenário atual é marcado por maior fragmentação política, tanto no sindicato quanto no conjunto da esquerda e do movimento sindical.

Marques afirmou que o principal desafio é preservar o sindicato como instrumento de unidade de ação da categoria, independentemente do modelo de direção adotado. Para ele, o fundamental é garantir que o ANDES-SN continue expressando os diferentes níveis de consciência política da categoria e seja capaz de construir direção coletiva da classe trabalhadora. Segundo o diretor, o debate organizativo deve buscar formas de enfrentar a fragmentação política sem comprometer a unidade sindical.

Em seguida, o debate foi aberto às e aos presentes que apresentaram suas defesas sobre democracia interna, proporcionalidade e virtualidade nas eleições das seções sindicais. 

Uma parte das intervenções defendeu que o ANDES-SN já possui uma estrutura profundamente democrática, baseada nas decisões de congressos, assembleias e instâncias de base, avaliando que a proporcionalidade poderia ampliar a fragmentação política, burocratizar o funcionamento da entidade e enfraquecer a unidade do Sindicato Nacional. Também houve críticas às propostas de eleições virtuais e separadas para as regionais, consideradas fatores de desagregação política e afastamento do trabalho de base.

Por outro lado, docentes favoráveis à proporcionalidade argumentaram que o modelo atual já não responde à diversidade política existente na categoria e que mudanças organizativas poderiam ampliar a participação democrática, oxigenar a direção e enfrentar práticas consideradas hegemonistas ou autoritárias. Algumas falas também defenderam a necessidade de atualizar o modelo organizativo do sindicato diante das transformações históricas do movimento sindical e da fragmentação política da esquerda.

As intervenções ainda recuperaram aspectos históricos da fundação do ANDES-SN, das disputas entre modelo federativo e sindicato nacional, da relação com outras entidades sindicais e da defesa da autonomia sindical frente aos governos e ao Estado. Também foram levantadas preocupações com o risco de aparelhamento político, os desafios da participação em seções multicampi e os impactos do uso de ferramentas digitais sobre a organização coletiva da categoria.

De acordo com Jacqueline Magalhães Alves, 1ª vice-presidenta da Regional Leste do ANDES-SN, a mesa contribuiu para aprofundar a reflexão sobre os desafios organizativos e políticos do Sindicato Nacional. “O debate evidenciou diferenças de posicionamento, mas também o compromisso coletivo com a construção dos próximos espaços deliberativos, a partir de propostas amadurecidas à luz da trajetória histórica do ANDES-SN, que segue fortalecendo a luta há 45 anos, e da defesa da educação pública e dos direitos da classe trabalhadora”, afirmou.

Projeções
Ainda no sábado (23), antes do início dos debates, o 1º tesoureiro do ANDES-SN, Sérgio Barroso, apresentou projeções financeiras sobre as propostas em debate no seminário, como a ampliação do apoio às seções sindicais menores para participação em atividades nacionais, o financiamento das eleições e a criação de um fundo eleitoral.

Segundo Barroso, com a ampliação do critério de apoio para seções com até 350 filiadas e filiados, já aprovada no 44º Congresso, o custo estimado anual seria de cerca de R$ 1,5 milhão, o que representaria aproximadamente 38% da arrecadação do Fundo Único em 2025. Ele alertou que, somadas às demais despesas já custeadas pelo fundo — como apoio a greves, jornadas de luta e mobilizações nacionais —, novas ampliações poderiam ultrapassar a capacidade financeira do sindicato.

 

 

O tesoureiro também apresentou estudos sobre o impacto de assumir parte dos custos das eleições das seções sindicais e da criação de um fundo eleitoral para financiamento das chapas. De acordo com as simulações da Tesouraria, levando em conta a destinação de 5% da receita do ano anterior, com média de R$ 20 mil por seção sindical, o ANDES-SN não teria condições de sustentar a medida sem comprometer suas reservas financeiras.

Formato dos eventos
Em seguida, a próxima plenária debateu os formatos dos eventos do ANDES-SN. Três textos de resoluções tratavam sobre o tema.

O TR 79, da diretoria do ANDES-SN, propõe reorganizar o formato do Conad para adequá-lo ao que prevê o Estatuto do Sindicato Nacional, com debates distribuídos em três temas centrais, criação de grupos mistos para os temas organizativos e de plano de lutas, redefinição do tempo das plenárias e fim do mecanismo de remessa automática de pendências entre eventos deliberativos.

Já o TR 88 sugere que os custos de participação de observadores e observadoras sejam limitados às despesas efetivas do evento, como materiais e coffee break, com cobrança específica às seções sindicais apenas para esses participantes.

O TR 91 propõe uma ampla reformulação dos métodos organizativos do sindicato, incluindo planejamento bianual dos Grupos de Trabalho, realização de congressos a cada dois anos, reorganização das plenárias e grupos mistos, redução das jornadas exaustivas e revisão dos formatos de debate e tramitação dos TRs. O texto também prevê mudanças no funcionamento dos Conads, com encontros prévios dos GTs, sínteses políticas e reformulação dos métodos deliberativos para garantir maior fluidez e participação nos debates.

Caroline Lima, 1ª vice-presidenta do ANDES-SN, afirmou que as discussões acumuladas desde o I Seminário de Questões Organizativas evidenciavam que os atuais formatos do Congresso e do Conad já não conseguem dar conta do volume de TRs, das demandas políticas e do tempo necessário para os debates. 

A diretora destacou que, desde 2022, os espaços deliberativos do sindicato vêm encerrando suas atividades com pendências acumuladas, fazendo com que um Congresso ou Conad comece discutindo temas não finalizados da edição anterior. De acordo com a diretora, o crescimento do número de TRs — intensificado mesmo após o fim do caderno anexo — e o pouco tempo destinado às questões organizativas no Tema IV revelam um “esgotamento” do modelo atual.

Ela também chamou atenção para os impactos das longas jornadas dos eventos sobre as e os docentes, especialmente diante do aumento da pressão das administrações universitárias sobre a participação sindical após o período de intervenções nas instituições federais. Segundo ela, permanecer até dez dias fora das atividades acadêmicas para participar de congressos e conads tem gerado dificuldades para docentes que não possuem licença sindical.

Entre as reflexões apresentadas para o debate coletivo, Caroline mencionou a possibilidade de rever quóruns, limitar ou reorganizar a tramitação de TRs, ampliar o percentual de destaque de propostas minoritárias nas plenárias e discutir novos formatos para os eventos deliberativos. Também foram levantadas hipóteses como a realização de dois congressos por ano, com duração reduzida, ou mudanças na estrutura das plenárias e grupos mistos.

Ao final, a diretora ressaltou que a direção nacional não apresentou respostas fechadas às questões debatidas e defendeu a construção coletiva de propostas para o Conad Extraordinário, por meio de uma comissão composta por diretoria e base sindical. Sobre o TR 91, que propõe alterações mais profundas no calendário dos eventos, incluindo congressos bianuais, Carol avaliou que a proposta é inviável nos moldes apresentados, sobretudo pela sobrecarga organizativa que geraria ao concentrar GTs, setores e Congresso em um mesmo período.

Ao abrir ao debate, docentes puderam opinar sobre o formato dos eventos deliberativos e divergiram sobre o funcionamento das plenárias e organização dos espaços do sindicato. Parte das intervenções defendeu a manutenção da livre apresentação de TRs, sem exigência de aprovação prévia em assembleias, como forma de garantir a pluralidade política da categoria.

Outras falas apontaram dificuldades práticas no funcionamento das instâncias, como excesso de textos, atrasos, falta de leitura prévia dos cadernos e sobrecarga das plenárias, defendendo mudanças metodológicas para otimizar os debates. Também houve posições favoráveis à limitação do temário do Conad, para evitar que o espaço funcione como um segundo congresso anual, enquanto outras defenderam mais tempo para aprofundar as discussões políticas.

As intervenções ainda abordaram a necessidade de reorganizar os grupos mistos, os impactos da longa duração dos eventos sobre a saúde e as condições de trabalho das e dos docentes, além dos limites financeiros e estruturais para realização de congressos.

Segundo Annie Hsiou, 3ª vice-presidenta do ANDES-SN, a plenária 4 foi “muito importante por tratar de questões relacionadas ao formato do Conad e, consequentemente, ao funcionamento dos GTs e das plenárias, bem como ao tempo de duração desses espaços, no sentido de melhorar a dinâmica desse importante espaço de debate das questões organizativas, financeiras e administrativas do ANDES-SN”.

A diretora destacou ainda que, ao longo do tempo, o Conad passou a concentrar TRs que não conseguiram ser debatidos nos congressos anteriores. “Repensar o formato do Congresso do Sindicato Nacional torna-se uma tarefa essencial da nossa categoria, na tentativa de otimizar o tempo, qualificar ainda mais o debate político e organizar as lutas da categoria”, afirmou.

Pequenas seções e a virtualidade
A última plenária, realizada neste domingo (24), debateu as políticas de apoio para seções sindicais pequenas e o uso da virtualidade nos espaços do ANDES-SN a partir dos TRs 90,94 e 95.

O TR 94 propõe a realização de seminários específicos sobre a política financeira do ANDES-SN, com o objetivo de discutir formas de apoio às seções sindicais com menor capacidade financeira, além da elaboração de estudos técnicos sobre possíveis limites para o Fundo de Mobilização.

Já o TR 90 defende a adoção de tecnologias híbridas nas reuniões de GTs, encontros temáticos e reuniões de setores, permitindo participação virtual individual e identificada das pessoas sindicalizadas. O TR 95 propõe a criação de uma política permanente de apoio às seções sindicais com até 500 filiadas e filiados, garantindo infraestrutura mínima de funcionamento, como sede, serviços de secretaria, comunicação, contabilidade e assessoria jurídica.

Edson Franco, presidente da Associação dos Docentes da Universidade Federal da Paraíba (Adufpb SSind.) e um dos signatários do TR 94, defendeu a realização de um seminário específico para discutir a política financeira do sindicato e avaliar formas de ampliar o apoio às seções sindicais com menor capacidade financeira.

Segundo Franco, muitas seções enfrentam dificuldades para manter estruturas básicas, como sede, assessoria jurídica e comunicação. Ele argumentou que os superávits registrados pelo sindicato poderiam ser parcialmente utilizados para reduzir os custos das seções sindicais com participação em congressos e Conads, sem comprometer a sustentabilidade financeira do ANDES-SN. O docente também cobrou maior planejamento financeiro, defendendo estudos técnicos e projeções de longo prazo para subsidiar as decisões políticas e orçamentárias da entidade.

Já Lívia Santos, 1ª vice-presidenta da Regional Planalto do ANDES-SN, reconheceu as dificuldades financeiras enfrentadas pelas seções sindicais, mas ponderou que as propostas de financiamento amplas apresentadas no seminário são inviáveis do ponto de vista orçamentário. Ela apresentou estimativas da Tesouraria que apontam custos exorbitantes para subsidiar infraestrutura mínima, aluguel e contratação de funcionários para dezenas de seções sindicais.

A docente defendeu a busca de alternativas mais sustentáveis, como novos critérios de rateio, compartilhamento de experiências administrativas e suporte técnico entre as entidades. Sobre a virtualização das atividades, defendida pelo TR-90, alertou que a ampliação da participação online pode gerar esvaziamento político, dificuldades organizativas e sobrecarga decorrente do tempo excessivo em frente às telas, exigindo mudanças estruturais no formato dos GTs e reuniões do sindicato.

Os debates reuniram diferentes avaliações sobre os desafios organizativos e financeiros do ANDES-SN. Parte das falas defendeu maior apoio às seções sindicais menores, diante das desigualdades de estrutura e arrecadação, enquanto outras alertaram para os limites orçamentários e os altos custos das mobilizações nacionais. Também houve divergências sobre o funcionamento dos congressos e GTs e sobre o uso da virtualidade nas atividades sindicais.

Surgiram defesas da virtualidade como instrumento formativo e de democratização, contrapostas por preocupações com a precariedade tecnológica, o esvaziamento político e os impactos organizativos das atividades híbridas. Outro eixo importante do debate foi a necessidade de fortalecer as campanhas de sindicalização e reorganizar a atuação das seções sindicais diante da redução de filiadas e filiados.

Para Marcos Soares, diretor do Sindicato Nacional, a plenária foi marcada por um debate amplo e diverso sobre as políticas de apoio às pequenas seções sindicais e o uso da virtualidade nos espaços do ANDES-SN. “As seções têm uma saúde financeira diferente umas das outras”, afirmou, destacando que há entidades sem sede ou funcionários, enquanto outras possuem estrutura própria e maior arrecadação.

Um encaminhamento importante, apontado por ele, foi a proposta de envio de circulares às seções sindicais para levantar dados sobre número de sindicalizadas e sindicalizados e a arrecadação mensal, permitindo à diretoria construir um “raio-x” financeiro que subsidie propostas “exequíveis” para o sindicato.

Encerramento
Na plenária de encerramento, Regina Célia da Silva, 2ª vice-presidenta da Regional São Paulo do ANDES-SN e da direção da Associação dos Docentes da Unicamp (Adunicamp Ssind.), destacou a coragem do ANDES-SN em enfrentar coletivamente os desafios organizativos e financeiros do sindicato e ressaltou a importância da unidade e organização das seções sindicais em suas bases.

O presidente do ANDES-SN, Cláudio Mendonça, agradeceu à Regional São Paulo, à Adunicamp SSind. e a todas e todos que participaram do seminário. Em sua avaliação, o espaço demonstrou a riqueza e a legitimidade dos debates construídos pelas seções sindicais, mesmo diante de divergências. O presidente destacou ainda os desafios que estarão colocados para o próximo período, especialmente no Conad Extraordinário, quando o Sindicato Nacional deverá aprofundar o debate sobre sustentabilidade financeira, fortalecimento das seções sindicais e possíveis mudanças na estrutura organizativa para preservar e fortalecer o ANDES-SN.

“Hoje nós temos seções sindicais que passam por situações muito delicadas, não só pequenas seções sindicais, mas médias e grandes. E a gente vai ter que debater coletivamente como preservar a saúde financeira do nosso Sindicato Nacional e, ao mesmo tempo, como permitir que as seções sindicais, que são a materialidade cotidiana do ANDES-SN nas universidades, possam aplicar a política do nosso sindicato nacional”, afirmou.

Fotos: Eline Luz/Imprensa ANDES-SN

 

Confira a cobertura fotográfica do Seminário:

 

 

Compartilhe...

Outras Notícias
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
EVENTOS
Update cookies preferences