A Diretoria do ANDES-SN, reafirmando seu compromisso histórico com a defesa das mulheres, dos direitos humanos e o enfrentamento a todas as formas de opressão, vem a público manifestar sua integral solidariedade à professora Jennifer Webb e às demais professoras e discentes que recentemente fizeram denúncias públicas em relação a violências de gênero sofridas nos âmbitos doméstico, acadêmico e universitário.
Recebemos, com profundo respeito, o manifesto dessas companheiras. Entendemos que romper o silêncio é um ato político de coragem que visa não apenas à reparação individual, mas também à proteção coletiva de todas as mulheres em situação de vulnerabilidade, em todos os espaços de vida, desde os domésticos, acadêmicos e políticos. Formalizar a denúncia é um passo importante para assegurar a apuração e todos os procedimentos políticos e jurídicos, bem como garantir espaços seguros para todas as mulheres em sua diversidade.
O ANDES-SN tem ampliado a compreensão de que os diferentes espaços acadêmicos, universitários e institucionais da categoria docente não estão imunes às desigualdades de poder que sustentam o machismo e a misoginia. Nessa perspectiva, o Sindicato Nacional tem proposto constantemente dispositivos e resoluções de combate a quaisquer formas de assédio e violência, como expresso na cartilha “Combatendo os Assédios Moral, Sexual e Outras Violências”, lançada em janeiro de 2025.
Defendemos que todas as denúncias sejam apuradas com o rigor e a seriedade necessários pelas instâncias competentes. Reforçamos nossa posição contrária a qualquer tentativa de desqualificar denúncias de violência de gênero por meio da instrumentalização de questões de saúde ou da vida pessoal, zelando para que as estruturas institucionais não sirvam de blindagem a violências. O ANDES-SN assegura o direito ao devido processo legal, à ampla defesa e ao contraditório, sem que isso implique, em hipótese alguma, a deslegitimação ou o silêncio das vozes das mulheres que denunciam.
Para enfrentarmos o machismo e a violência de gênero, são necessárias a nossa unidade e a nossa força coletiva, que nos permitem avançar rumo ao fim do patriarcado, do machismo estrutural e do capitalismo, reafirmando que a luta por espaços seguros e livres de violência é um compromisso inegociável de todo o conjunto da nossa categoria.
Encorajamos todas as mulheres que vivenciem situações de assédio ou violação a utilizarem os canais institucionais e as plataformas de ouvidoria de suas respectivas IES. Para a rede federal de ensino, orientamos o uso da plataforma Fala.BR e nas instâncias estaduais, municipais e distrital, o uso dos canais de denúncia correlatos.
Nesse sentido, reafirmamos a importância do “Protocolo de Combate, Prevenção, Enfrentamento e Apuração do Assédio Moral e Sexual, do Racismo, da LGBTfobia e quaisquer formas de discriminação, opressão e violência”, para que Universidades, IFs e CEFETs implementem instrumentos próprios e eficazes de acolhimento e encaminhamentos efetivos.
Reiteramos que o Sindicato não compactua com qualquer forma de violência e seguirá atuando na construção de espaços seguros, no acolhimento às vítimas e no fortalecimento de políticas e práticas de enfrentamento ao assédio e à violência de gênero em todas as suas dimensões.
Seguiremos acompanhando atentamente os desdobramentos do caso e reafirmamos nosso compromisso com a ética, a justiça e a defesa intransigente da dignidade das mulheres.
Nos queremos vivas, professoras vivas!
A violência contra a mulher não é o mundo que a gente quer!
Toda solidariedade à Jennifer Webb!
Brasília, 13 de abril de 2026.
Diretoria do ANDES - Sindicato Nacional